O ano de 2026 inaugura o “Ano Um” da Reforma Tributária do Consumo. Não é o ano da arrecadação plena, nem o da extinção definitiva dos tributos atuais, mas é o ano em que tudo começa a ser testado: sistemas, processos, pessoas, estratégias e, principalmente, a maturidade das empresas diante de um novo modelo tributário.
Durante décadas, a reforma tributária ocupou o campo da incerteza. Sempre que o tema surgia, vinha acompanhado de um verbo no futuro e em tom de dúvida: será?. Será que sai, será que muda, será que agora vai? Em 2023, essa fase se encerrou. A reforma foi aprovada, regulamentada em seus pilares centrais e, agora, entra na fase mais sensível: a implementação prática.
E essa implementação não se limita à área fiscal. A Reforma Tributária do Consumo altera a forma de comprar, vender, precificar, contratar, financiar a operação e gerir o caixa. Ela interfere diretamente no dia a dia das empresas, afetando preço, capital de giro, competitividade e resultado. Ignorar esse movimento é assumir risco.
O estudo Tributos no centro: caminhos para reinvenção das empresas brasileiras, da PwC, revela um dado preocupante: mais de um terço das empresas brasileiras (37%) ainda está em estágio inicial de mensuração dos impactos da reforma, enquanto apenas 19% concluíram o diagnóstico e somente 9% já estão efetivamente ajustando seus sistemas
Ou seja, a maioria ainda observa, enquanto o jogo já começou.
O discurso de “transição longa” é verdadeiro — a implementação integral está prevista apenas para 2033. Mas isso não significa que haja tempo sobrando. Ao contrário: os primeiros anos são os mais críticos, porque é quando erros de modelagem, parametrização e estratégia se acumulam e se transformam em perda de margem, distorção de preço e problemas de caixa.
A reforma introduz conceitos estruturais inéditos no Brasil: não cumulatividade plena, crédito amplo e apuração assistida. Em tese, quase tudo gera crédito. Na prática, esse crédito só existe se a operação estiver corretamente documentada, classificada e integrada aos sistemas fiscais e financeiros. Crédito mal escriturado não é ativo — é risco de glosa.
O próprio estudo da PwC aponta que 83% das empresas percebem alto impacto na área tributária, 70% em TI e 55% na área financeira, evidenciando que a reforma exige uma abordagem transversal, envolvendo tecnologia, contabilidade, jurídico, suprimentos e comercial.
Não se trata de trocar um imposto por outro, mas de redesenhar o funcionamento da empresa.
Há ainda um ponto sensível pouco discutido fora dos círculos técnicos: o fim do uso do tributo como capital de giro. Historicamente, muitas empresas brasileiras se financiaram, conscientemente ou não, com o valor dos tributos — postergando recolhimentos, parcelando débitos ou administrando passivos fiscais. Com o novo modelo, o imposto passa a ser retido no momento do pagamento, pelo banco ou adquirente. Se o financeiro não ajustar o fluxo de caixa, a surpresa virá no fechamento do mês.
Os dados da PwC confirmam esse risco: 44% das empresas apontam impacto negativo no capital de giro e na liquidez, e 51% indicam preocupação com aumento da carga tributária ao longo da cadeia de valor, o que afeta diretamente competitividade e formação de preços
Esses efeitos são ainda mais intensos em setores como consumo e agronegócio, onde as margens já são pressionadas.
Outro dado relevante: 93% das empresas indicam que a preparação para a reforma envolve a contabilidade, e 83% apontam a área de TI como central no processo, reforçando que o Ano Um é, essencialmente, um ano de tecnologia, testes e integração de dados
Quem não testar agora testará sob penalidade depois.
É nesse contexto que surge a pergunta que realmente importa: sua empresa está testando ou apenas assistindo?
Assistir enquanto concorrentes ajustam preços, reorganizam cadeias, capturam créditos e reposicionam margens não é uma estratégia defensiva — é abrir mão de competitividade.
Quando o problema já está instalado, não há mais espaço para planejamento, apenas para correção emergencial. O Ano Um é o momento de agir com método, simulação e visão estratégica. É o momento de tratar a reforma como o que ela é: um evento tributário, financeiro e empresarial sem precedentes no Brasil.
Na ANG, entendemos que a Reforma Tributária não é um projeto fiscal, mas um projeto de negócio. Atuamos de forma integrada — tributária, contábil, financeira, tecnológica e estratégica — para transformar o período de transição em vantagem competitiva. Se sua empresa ainda está observando, talvez seja hora de começar a testar. Estamos prontos para conduzir esse processo com método, profundidade técnica e visão prática de mercado.


